A presença da família Azevedo no processo de ocupação do Norte Pioneiro do Paraná é atestada não apenas pela memória local e pela tradição oral, mas também pela historiografia paranaense. Um dos registros mais expressivos está no clássico História do Paraná, do professor e historiador Ruy Wachowicz, obra de referência publicada originalmente nos anos 1970 e reeditada ao longo das décadas seguintes.
Ao tratar do movimento de migração de mineiros para o chamado Norte Velho – região que corresponde hoje, em parte, ao município de Siqueira Campos, estendendo-se entre os vales dos rios Cinzas e Laranjinha – Wachowicz destaca a força da presença de famílias vindas do Sul de Minas Gerais.
Entre esses pioneiros, sobressai o nome de Joaquim José de Azevedo, reconhecido como um dos maiores posseiros de terras em toda a região. Segundo o historiador:“Um desses grandes posseiros era Joaquim José de Azevedo, que ao morrer possuía 42.000 alqueires.” (Wachowicz, 2001, p. 256).
A cifra impressiona: 42 mil alqueires (dependendo da medida adotada, paulista ou mineira) correspondem a uma área de 1.016 quilômetros quadrados – bem maior que a do município de Curitiba (400km2) e quase igual à da cidade do Rio de Janeiro (1.200km2). Um patrimônio dessa escala coloca Joaquim José de Azevedo entre os grandes proprietários rurais do Paraná oitocentista, ao lado de outros nomes que marcaram o avanço da fronteira agrícola sobre terras então consideradas devolutas.
Wachowicz associa o perfil de Joaquim José e de outros mineiros a um tipo de colonização específica: a do migrante-proprietário, que chegava à nova fronteira não apenas para abrir roça de subsistência, mas para constituir vastas glebas, repassadas em parte a descendentes e agregados, estruturando verdadeiras unidades familiares de poder econômico e social.
Esse dado confirma que a participação dos Azevedo não se deu apenas como presença discreta na ocupação do Norte Pioneiro, mas como agentes centrais do primeiro ciclo de posse fundiária na região. A trajetória de Joaquim José de Azevedo, atestada pela historiografia, reforça a importância da família na formação histórica do Paraná e dá à memória dos descendentes um lugar de destaque no panorama da colonização brasileira do século XIX.
Joaquim José de Azevedo nasceu em Cambuí (MG) em 1818 e morreu em provavelmente em 1877 em Santana do Itararé (não foram encontrados registros precisos a respeito de seu óbito). Casou-se no vizinho município de Consolação em 1837 com Justina Maria Fernandes de Campos. Livros paroquiais da região apontam que o casal residiu temporariamente em outras cidades, como Paraisópolis, Camanducaia e Bueno Brandão (antiga Campo Místico). Joaquim e Justina tiveram 10 filhos – oito dos quais nascidos ainda em Minas Gerais, os últimos já em Santana do Itararé e São José da Boa Vista:
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Maria Ignacia da Conceição (1838 – †)
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Ignacio José de Azevedo (1841 – †)
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Anna Joaquina da Conceição (1842–1893)
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Manoel José de Azevedo (1843–1905)
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Felippe Fernandes de Azevedo (1843–1910) – meu bisavô
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Antonio José de Azevedo (1843–1923)
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Maria Cândida de Jesus (1844–1913)
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José Antonio de Azevedo Sobrinho (1845 – †)
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Marianna Generosa das Dores (1855–1890)
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Francisco Fernandes de Azevedo (1855–1907)
Observação: as datas de nascimento/falecimento não são necessariamente precisas. Há, por exemplo, três filhos nascidos num mesmo ano (1843) o que nos parece improvável – mas é como são encontradas nos livros paroquiais que serviram como fonte primária das nossas pesquisas.
Se os tais 42 mil alqueires fossem representados pela parte em vermelho sobreposta ao mapa do Paraná





13 comentários em “Joaquim José de Azevedo e os 42 mil alqueires no Norte Velho do Paraná”
Sou descendente de José Antonio de Azevedo Sobrinho, pai de Francisco Joaquim de Azevedo, pai de Manoel José de Azevedo, pai de José Francisco de Azevedo, que é meu avô materno.
Sim, tudo leva a crer na possibilidade de ligação familiar. Conte mais detalhes, por favor.
Meus avós eram primos de 2° grau (José Francisco de Azevedo e Rita Oliveira da Silva, minha avó descendia dos Azevedo por parte de mãe, a avó materna dela era Maria Justina de Azevedo filha do José Antonio de Azevedo Sobrinho) eles nasceram nessa região, minhas tias mais velhas ainda vivas também nasceram lá, elas contam que meus avós foram expulsos das terras, pois outras pessoas invadiram e os ameaçaram com armas, assim eles tiveram que ir embora de lá, mas que muitos ainda ficaram trabalhando como empregados para essas pessoas. Falam também que na região que eles moravam havia minério de carvão, um dos motivos para roubarem as terras. Saindo de lá foram para Barbosa Ferraz e por fim Campo Mourão.
Errei, a avó materna de minha avó é Maria Rita de Azevedo, a Maria Justina de Azevedo é avó materna de meu avô.
Ou seja, o avô paterno (Francisco Joaquim de Azevedo) e a avó materna de meu avô (Maria Justina de Azevedo) eram primos. Assim, três dos filhos do José Antonio de Azevedo Sobrinho são meus tataravós.
Ola povo Azevedo, sou Azevedo por parte de pai , Joaquim Martins Azevedo, filho de Joao Martins (esposa Catharina da Conceiçao) filho de Flauzino Martins Azevedo(esposa Barbara Martha de Jesu) filho de Francisco Martins Azevedo (esposa Guilhermina Claudia de Oliveira) , quanto ao pai de meu tataravo Francisco ainda tenho duvidas , cheguei em um Jose Rodrigues no family Search sem certezas, só sei que me senti muito em casa em Portugal , arrepios na alma , bjs fiquem Deus
Olá, família!
Minha avó paterna contava que o pai era descendente de um barão poderoso na época, que tinha virado visconde e tinha vindo com a família real (em 1808). Ela falava que a mãe dela guardava a 7 chaves uma peça de porcelana com brasão (que depois de muita apuração, descobri ser do Visconde de Rio Seco, Joaquim José de Azevedo), que havia conseguido com esforço recuperar, já que a herança havia sido dissipada pelos filhos do Joaquim José, que voltaram para Portugal sem levar nada, venderam tudo o que havia.
O Visconde de Rio Seco era outro Joaquim José de Azevedo, homônimos apenas. O Visconde foi homem muito poderoso e rico à época de Dom João 6º e Dom Pedro I, mas ao que parece não tinha nenhum parentesco com o Joaquim José de Azevedo retratado neste blog.
Olá
Sou descendente da 5° geração de Joaquim José de Azevedo e Justina Maria, pela minha tataravó paterna Mariana Generosa Das Dores, e pelo lado materno também na 5° geração, sou de Wenceslau Braz
Oi, Fernanda! Então de fato, você faz parte das histórias contadas neste blog Família Azevedo. Seja bem-vinda!
Filhos de Marianna Generosa das Dores:
Anna
1870–Falecida
Joaquim Fernandes de Campos
1873–1956
Maria Sabina de Campos
1874–1955
Francisca Maria de Jesus
1876–1951
Sebastiana Maria de Campos
1877
Masculino
1878–Falecido
Maria de Campos
1881
Maria Dina de Jesus
1883
Antonio
1885
Das Dores De Campos
1885–
Francisco
1886
Benedita Maria de Jesus
1888–1969
Joana Generosa Das Dores
1889
José de Campos
1890–1890
Antonio Fernandes de Campos
1891–1959
Mariana Generosa era irmã de Felippe Fernandes de Azevedo. No total, eram dez os filhos de Joaquim José e Justina Maria.
Muito interessante!! sou do norte do PR, recencentemente comecei montar minha arvore e descobri o batismo de um filho de minha tataravó, em São jose da Boa vista, nele diz os avós paternos e maternos! minha tataravó filha de jose Fernandes de Azevedo e Maria Luiza ao que tudo indica irmão de Joaquim Jose de Azevedo.
Perfeito. É isso mesmo.